domingo, 19 de maio de 2019

Capítulo XXV

A página em branco
É onde eu reescrevo
A minha história
Com dor e sem demora

A condição de me entregar
Sem restrição
É avassaladora
Temida

Os dias se arrastam
Como eu
Na procura de algo
Que seja capaz

Com o peito apertado
Eu suplico em sussurro
Alguém que traga paz
Pra esse ardor absurdo

Capítulo XXIIII

Sobre perdas e danos
Os enganos que cometo
As dores que sinto
Os amores insanos

O que vai
Nunca volta igual
Eu me jogo de alturas imensuráveis
Dentro de pessoas irracionais

No vazio que sinto
Continuo existindo
A arte que falta
É a de amar por completo

Coração partido em coração partido
Eu sigo meu caminho
Tentando entender o que me faz
Querer entrar em pessoas rasas demais

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Capítulo XXIII - Colaboração

Chamava-se Vitória, dizia, mas o fracasso dominava
a mente acusava
tantos erros sem conserto
tantas falhas sem jeito
no que achava um modo errado de viver
e aprender.

Teimava no que dizia o coração
que nada despertava maior emoção
que viver no caminho do amor
Mas como amar? Se tudo não passa de dor?
Como ser feliz?
Se todos passam só pra me deixar cicatriz?

Ainda assim insistia sem demora
que buscar a felicidade lá fora
era correto com mais alguém
e mais bonito também.

E então Vitória traçou todos os planos possíveis
E se jogou de cabeça de alturas incríveis
Direto no coração de pessoas (pra ela) especiais
que não passavam de babacas irracionais.

O caminho é esse mesmo, ouvia
E continuava amando na esperança de que tudo
se resolveria

Colava os cacos de coração no peito
e quando tudo estava feito
amava como se fosse a primeira vez
mesmo que fosse o quinto coração partido naquele mês.

As pessoas não te merecem, pequena Vitória.
Só uma sugestão.

- Bruno Andrade

Capítulo XXII

de meia 3/4
e vestido plissado
bebo madrugada adentro
palavras amargas
e vinho barato
encontrando algo
que não via há tempos
eu.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Capítulo XXI

Esse coração calejado
Que já cansou de sofrer calado
Sangra e arde
Feridas do passado
Que parecem tão recentes

Esse coração cansado
Que sonha em se manter fechado
E cura a cada fio de esperança
De um amor despreocupado

Apanha por não saber medir
A ilusão que cria pra si mesmo
Sangra e arde
Sem medir a dor
De ser um amante obstinado

Capítulo XX

Intensidade.
Sensibilidade.
Amor.
Afeto.
É disso que a minha essência é feita.
Eu sou feita de sentir e nada mais.
Isso assusta, afasta, repele.
Eu entendo.
Às vezes queria sair de mim.
Mas como mudar o concreto sem destruir a paisagem em volta?

Capítulo XVIII

Eu te deixei entrar
Despi a alma
Segurei o choro
Te mostrei meu lado mais bonito
Te convidei pra sentar
Te disse pra ficar
Fiz nosso jantar
E te abracei até ficar sem fôlego
Entrelacei meus dedos nos teus
Por tantas vezes
Que eles não sabem mais ser sozinhos
Me declarei
Como pude
E você entendeu o meu receio
Eu vi os sinais
Eu escolhi ignorar todos eles
Eu quis você pra mim
Eu errei
A culpa não é minha, eu sei
Nem tanto sua, eu diria
Mas agora eu sigo com meu quarto vazio
Com os dedos soltos

Capítulo XXVIIII

Tropecei na mesa No chão escorregadio Na desesperança Te vi pirar Me deixei levar Pela relevância Não calculei a queda Não desviei d...