O contexto no qual eu vivi a vida inteira foi um contexto branco, de classe média e preconceituoso.
Mesmo vendo meus pais sem formação lutando pelo pão de cada dia, nunca nos faltou nada, por que graças a alguém meus avós sempre tiveram dinheiro, então sempre puderam nos ajudar.
Mas tudo na vida tem um preço.
Eu sempre acreditei muito em destinos e pouco em coincidências. Não é atoa que "nada acontece por acaso" está marcado na minha pele até o fim desta encarnação.
Eu lutei por anos a fio contra mim mesma. Lutei contra a minha sexualidade, até não aguentar mais. Lutei contra meu corpo, até não aguentar mais. Hoje a luta é mais silenciosa, não deixa marcas na minha pele, as cicatrizes estão todas dentro de mim.
Não sei dizer quando começou, só sei que tenho uma lembrança muito nítida da Vitória ainda criança, fazendo um desenho de si mesma e escrevendo coisas horríveis ao redor. A vontade de morrer já estava ali.
A dor física vem. Eu sinto. Eu perco a força, os olhos encharcam, o coração lateja a cada batida até parecer que não está batendo mais. A cabeça fica anestesiada e tudo que eu quero e me jogar de uma ponte pra que isso tudo acabe.
Eu não tenho uma vida ruim. Tenho amigos ótimos, um bom emprego, saúde física, apoio financeiro familiar.
Mas a sensação de vazio nunca vai embora.
Eu sei que o que me falta sou eu. Falta eu me entender, falta eu amar meus defeitos, falta eu saber que sou boa o suficiente.
Quando o mundo te aponta o dedo o tempo todo, te dizendo que você não vale a pena. Que você não é capaz. Podando seus sonhos e suas vontades. O que sobra de você? O que me sobrou foi a casca em que habito. Os sonhos, as vontades, os desejos, foram tirados de mim um a um. Até não restar nada. Até sobrar só o vazio da minha existência.
Eu me pergunto até quando vou sobreviver assim.
Até quando eu vou lutar contra mim mesma, até não aguentar mais.
E ser o tão desejado fim.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Capítulo XVII
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Capítulo XXVIIII
Tropecei na mesa No chão escorregadio Na desesperança Te vi pirar Me deixei levar Pela relevância Não calculei a queda Não desviei d...
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